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A creche

Foto do escritor: Fabiane Braga Lima, escritoraFabiane Braga Lima, escritora

Atualizado: 17 de mai. de 2023

A creche

Cotidiano: a creche



Lia é minha única filha. Coloquei-a, com os seus seis meses, na creche. Mesmo assim, todos os dias foram e são difíceis deixá-la aos cuidados de gente estranha. Chora muito, se joga no chão, antes de entrar. É difícil para mim ver a minha filha pequena naquele estado, chorando compulsivamente. Mas, eu preciso trabalhar, afinal a minha pequena menina precisa de mim. Assim é nossa rotina, desde que Lia nasceu. Resolvi buscá-la na creche um pouco mais cedo. Chegando lá percebi que a monitora gritava com Lia. Desesperada, Lia chorava alto. Tirei a minha filha daquele pesadelo, fiz isso sem olhar para trás. Fomos para casa, mas o meu instinto dizia que algo estava errado. Minha filha tinha cinco anos e nunca falava, vivia quieta pelos cantos. No dia seguinte, como de costume, fui levá-la à creche. Só que dessa vez resolvi ficar um pouco mais. Para minha dor! Minha filha sofria abusos psicológicos por uma monitora da creche. Então entrei, peguei a minha filha e fomos a uma delegacia. Chegando na delegacia, sofri um grande descaso. Um policial de meia, mal-encarado, me atendeu, pediu para eu preencher uma ficha, fui enviada para uma longa fila de espera. Após horas de espera não nos atenderam, resolvi ir embora, eu e a minha pequena! Logo deduzi, na verdade, eu sabia, era por eu ser mãe solteira. Chorei muito, logo depois levei minha filha para casa. Então, eu resolvi tirá-la daquela creche! Mas tudo isso me ensinou uma coisa. Sendo eu mulher e mãe solteira, o preconceito é bem maio, fico impotente pelo fato da filha ter sido violentada psicologicamente. Para mim era esse o motivo de Lia não falar, me senti culpada. Tudo isso me fez vivenciar o descaso, sendo uma mãe solteira e sem apoio de mais ninguém. Eu me senti impotente diante de tudo e principalmente diante das autoridades constituídas. Quanto a malfadada creche! Eu me perguntava: — Por que com a minha filha, tanta maldade? Qual a razão desse preconceito por eu ser uma mãe solteira? Minha filha foi criada com muito amor. Então o porquê do ocorrido? Enfim, chego a uma conclusão, preconceitos existem há muito tempo. Eu que nunca quis enxergar… Fabiane Braga Lima/ Rio Claro, São Paulo.


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