Apenas uma mulher
Cheguei numa fase da vida, que me sinto privilegiada. Sabe, aquela fase, onde desatamos
os nós que nos prendiam a tantas futilidades. Faço o que gosto, sem pressa e sem precisar agradar ninguém mais além de mim mesma. Porque no fim, sempre acabamos sozinhas...
Como é bom acordar bem humorada! Não com o semblante triste e envergonhada por absorver tantos desprezos, e muitas vezes sermos chamadas de louca, ou vadia.
Sinceramente, eu não me importo mais, não sou uma princesa, nem cogito ser uma princesa. Sou apenas uma mulher, na qual quebra tabus, nada santa! Tenho paixão pela escrita, de vários gêneros, posso ser pura e impura, depende do dia. Não sou de dar indireta, sou direta sempre e apenas uma vez.
Cresci psicologicamente! Gosto de pessoas com espíritos livres, mas nem sempre fui assim, me prendia muito ao passado. Hoje sou um ser errante, não tenho destino. O vento me guia. Sofri muito no passado, mas cá entre nós, o que o passado nos reserva?
— Nada, passado é apenas o passado.
Exceto que ficam as lembranças boas ainda dói muito. Como dói! Mas a vida segue, somos instantes apenas. Quantas vezes chorei por amores passageiros.
Hoje, restou-me o presente, onde me enxergo apenas uma mulher, com rugas em volta dos olhos, alguns cabelos brancos, um corpão excitado, sonhadora, e, simultaneamente, realista.
São tempos sombrios de amores líquidos, fuja! Lute, lute muito, tenha sempre expectativa na vida, mas se coloque em primeiro lugar. Se priorize, quebre tabus, cultive amor-próprio sempre. Converse com o espelho e diga: — Mulher, como você é linda, tão pura e impura! Santa? Apenas você poderá responder…
Apenas uma mulher.
Fabiane Braga Lima/ Rio Claro, São Paulo
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Texto de Fabiane Braga Lima, contista e poetisa em Rio Claro, São Paulo.
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